Treinamento sobre LGPD nas empresas: por que investir em cultura de proteção de dados

Gustavo Tonet Fagundes

4/21/20261 min read

A adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) não se esgota na elaboração de políticas de privacidade ou na nomeação de um encarregado de dados (DPO). Um dos pilares mais negligenciados, e mais cobrados pela ANPD em suas ações de fiscalização, é a capacitação contínua dos colaboradores que lidam com dados pessoais no dia a dia. Recepcionistas que coletam documentos, equipes de vendas que cadastram clientes, setores de RH que tratam dados sensíveis de empregados: todos são pontos de risco quando não há orientação clara sobre o que pode e o que não pode ser feito.

Na prática, a maioria dos incidentes de segurança com dados pessoais não decorre de ataques externos sofisticados, mas de falhas humanas internas: envio de informações para o destinatário errado, compartilhamento de planilhas com dados pessoais por WhatsApp, armazenamento de documentos sem controle de acesso ou coleta de dados sem base legal definida. Treinamentos periódicos, mesmo que breves e objetivos, ajudam a criar uma cultura de proteção de dados que reduz esses riscos e demonstra boa-fé perante a ANPD em caso de fiscalização.

Com a transformação da ANPD em agência reguladora (Lei nº 15.352/2026) e a criação de 200 cargos técnicos de fiscalização, a tendência é de que as auditorias se tornem mais frequentes e mais técnicas. A agência já sinalizou, inclusive, que a existência de programas de treinamento e governança será considerada na dosimetria de eventuais sanções, ou seja, empresas que demonstram esforço real de conformidade tendem a receber tratamento mais brando do que aquelas que tratam a LGPD como mera formalidade.

Dica FDlaw: Não é preciso um programa complexo para começar. Um treinamento inicial de conscientização, diretrizes escritas sobre o uso de dados no ambiente de trabalho e revisões periódicas das práticas da equipe já representam um avanço significativo. O importante é documentar essas ações, atas de treinamento, listas de presença, materiais utilizados, pois são esses registros que comprovam a governança em caso de fiscalização. Com a FDlaw os programas de proteção e privacidade de dados contam com plataforma própria para aplicação de treinamento, por meio da qual controlamos o acesso e certificamos os participantes.